13/07/2011

Momento reflexão!

Ontem à noite, já estava indo dormir, quando resolvi dar uma última olhadinha nos meus e-mails (vício total!) e lá estava um enviado pela minha mãe, Graça, uma mulher admirável em tantos aspectos quantos eu teria que passar horas aqui enumerando-os...
O e-mail dizia: Casa Arrumada.
Copiei pra vocês...



Casa Arrumada



Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)



Casa arrumada  é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa 
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um 
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os 
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras 
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições 
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da 
tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte 
e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca 
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.



Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.





Depois de ler tive uma pontada de felicidade... visualizei meu sofá (com capa branca de sarja) e seus sempre presentes pingos de mamadeiras, os arranhões no piso de madeira que eu quase lustro sozinha de tanto xodó (rsrsrs), os brinquedos espalhados num quarto com as paredes rabiscadas, os copinhos de criança que fazem parte da mesa do jantar...
Senti minha casa transbordando vida!!!


Beijos!

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